quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nuclear nos outros é refresco‏


O Greenpeace foi ontem até a embaixada da Alemanha em Brasília para expor uma contradição do governo de Angela Merkel, que apresentou um plano para livrar seu país da geração nuclear até 2022, mas manteve o financiamento alemão que viabiliza a construção da usina nuclear de Angra 3.

Apesar dessa estranha concepção de que o que não é bom para a Alemanha é bom para o Brasil, Merkel pelo menos tomou uma atitude contra uma forma de energia que, como provam Chernobyl e Fukushima, não é apenas cara mas extremamente perigosa.

Merkel não está sozinha. Na esteira do acidente com os reatores de Fukushima, vários outros países – China, Suíça, Estados Unidos – reviram as políticas de expansão de seus parques nucleares ou apertaram os requerimentos de segurança. Aqui, o comportamento do governo em relação ao assunto tem sido caracterizado pela mais absoluta falta de transparência.

Nem a ciber carta que dirigimos à Dilma depois de Fukushima conseguiu quebrar o silêncio do governo sobre nuclear ou decidir de forma clara sobre o futuro energético do Brasil. A carta foi assinada por quase 40 mil pessoas que continuam sem resposta sobre seu pedido para suspender a construção de Angra 3. Essa postura é um claro sinal de que precisaremos redobrar nossos esforços para livrar o país desta geração de energia cara e suja. E a sua participação, apesar de não demover Dilma, é um imenso incentivo a nós do Greenpeace. A todos que assinaram a carta, nosso mais profundo obrigado.
Fique de olho na campanha de energia do Greenpeace.







Torne-se um ciberativista também  http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Participe/Ciberativista/??utm_source=boletim&utm_medium=ciberativista

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A escravidão fóssil

As emissões de gases de efeito estufa poderão ser minimizadas no século 21 em circunstâncias sociais e políticas comparáveis às da emancipação dos escravos no século 19. As decisões virão quando a sociedade se convencer de que são realmente necessárias, afirma o economista José Eli da Veiga, da Universidade de São Paulo. Tanto a dependência dos combustíveis fósseis quanto o trabalho escravo são fe
O economista José Eli da Veiga, professor da Universidade de São Paulo, é um dos mais ativos pensadores brasileiros engajados na luta contra o aquecimento global. Autor de 21 livros, no último deles – Energia Nuclear: do Anátema ao Diálogo (Editora Senac, 2011) – busca aprofundar o debate sobre as opções energéticas no momento em que o acidente da usina nuclear de Fukushima, no Japão, conquista a atenção do público. Apesar dos esforços de gente como o escritor paulista, os gases de efeito estufa continuam a se acumular perigosamente na atmosfera, se aproximando de um eventual ponto de não retorno que poderá agravar as mudanças climáticas já em curso. Veiga acompanha a evolução das evidências científicas, mas não cultiva o pessimismo porque sabe que grandes mudanças políticas podem ser efetivadas se a sociedade realmente se convencer da importância delas.
Em 1942, por exemplo, um mês depois do ataque japonês a Pearl Harbor, o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt anunciou em cadeia de rádio a meta pouco realista de produzir 60 mil aviões, 45 mil tanques e 20 mil canhões antiaéreos. Para tanto, proibiu a fabricação de automóveis durante três anos. Muita gente não gostou. Mas em 1945 os EUA acumularam 325.000 aviões, 88.000 tanques e 250.000 canhões. E ganharam a Segunda Guerra Mundial.

O processo de mitigação das ameaças climáticas tem sido lento. o sr. não acha os resultados globais desanimadores?
As evidências sobre o aquecimento global começaram a ser consolidadas em 1971, no primeiro evento internacional sobre o tema, em Estocolmo. Vinte anos depois, a ONU montou o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), uma decisão que saiu de um conclave, em Toronto, em 1988, cujo título enfatizava “as implicações das mudanças atmosféricas para a segurança global”. Quatro anos depois, a Convenção do Clima, acordada no Rio de Janeiro, estabeleceu os fundamentos do complexo processo institucional posterior. Ainda outros cinco anos se passaram até que fosse assinado o autista Protocolo de Kyoto, em 1997. Demorou mais oito para que ele pudesse entrar em vigor, em 2005, com a ratificação da Rússia. Pior: as posteriores conferências das partes, a COP-14 e a COP-15, foram paupérrimas em decisões que efetivamente contribuíssem para a descarbonização das sociedades.

Há uma corrida contra o tempo e não estamos ganhando.
A rigor, há um único precedente histórico que ajuda a encarar com otimismo tanta morosidade na busca de solução que encurte a agonia da era fóssil e acelere a passagem à economia de baixo carbono: o processo que pôs fim à escravidão. Se não houver uma guerra nuclear, cujas consequências seriam imprevisíveis, com certeza as emissões de gases de efeito estufa serão minimizadas no século 21 em todo o mundo, em circunstâncias sociais e políticas comparáveis às da emancipação dos escravos no século 19.

Energia elétrica para o Brasil: uma outra abordagem é possível

O WWF-Brasil recebeu com preocupação a notícia da autorização para o início das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, mais especificamente no Rio Xingu.

A organização ambientalista brasileira considera que o país comete um erro ao autorizar a construção de uma estrutura que não foi suficiente e devidamente discutida com a população local - apesar de ter sido planejada há 20 anos - e que o projeto não leva em conta, adequadamente, itens importantes como o ciclo das secas da Amazônia - que reduzirá (ou inviabilizará) a capacidade de produção de energia sazonalmente; a distância da obra em relação à demanda, que encarecerá o preço da energia produzida; o funcionamento dos sistemas ecológicos e a dinâmica social e cultural em torno das bacias hidrográficas, entre outros problemas já mencionados em seu texto de posicionamento "Barragens & Belo Monte".

O WWF-Brasil volta a destacar a existência de alternativas mais sustentáveis compor a matriz elétrica do País, tais como a energia eólica e os bioenergia e a possibilidade, ainda não cogitada, de uma reengenharia  e modernização das UH já existentes, o que permitiria a geração de mais energia com o mesmo parque hidrelétrico a um custo muito menor que a construção de novas unidades.

Mesmo reconhecendo a eventual necessidade de construção de novas hidrelétricas, o WWF-Brasil reitera sua posição de que a decisão neste sentido não seja tomada barragem a barragem, mas dentro de um planejamento amplo, que considere o funcionamento dos sistemas ecológicos dos rios, mantendo rios de fluxo livre, poupando biodiversidade.

sábado, 4 de junho de 2011

São Paulo terá Virada Sustentável nos dias 4 e 5 de junho

Mais de 300 atividades culturais e educativas, ligadas aos temas da sustentabilidade, agitarão a capital paulista durante o final de semana do Dia Mundial do Meio Ambiente.
Com centenas de atrações espalhadas por mais de 60 espaços e parques da cidade, São Paulo receberá, nos dias 4 e 5 de junho, a primeira edição da Virada Sustentável, que tem o objetivo de ampliar a informação sobre sustentabilidade a partir de uma abordagem positiva para a população, usando a arte e a cultura como principais ferramentas de comunicação – e transformação.
Logo após a abertura, que ocorre no sábado às 8h com atividades de yoga e meditação nos parques, a capital paulista será tomada por diversas atrações, como exposições, filmes, oficinas, workshops, peças e shows de música, sempre com conteúdo ligado aos temas da sustentabilidade. Meio ambiente, biodiversidade, direitos humanos, mudanças climáticas, mobilidade urbana, lixo e qualidade de vida serão alguns dos temas das atividades. Todas as atrações são gratuitas. No primeiro dia, as atividades acontecem das 8h às 24h. No domingo, as atrações iniciam novamente às 8h e terminam às 20h.
“A Virada Sustentável teve a preocupação, desde o início, de pulverizar sua programação em diferentes locais da cidade, de forma a evitar grandes deslocamentos e, principalmente, grandes aglomerações em um único local. Outro cuidado foi o de não promover o evento apenas em locais visitados pela população das classes média e alta, o que explica a presença de diversas atividades nas regiões periféricas da cidade, como os bairros de Capão Redondo, na zona Sul, ou Belém, na zona Leste”, explica o jornalista André Palhano, organizador do evento.



Virada Sustentável terá distribuição de livros infantis sobre meio ambiente e cidadania

Durante a Virada Sustentável serão distribuídos mais de 50 mil livros infantis sobre reciclagem, consumo consciente, energia, saúde e inclusão. Trata-se da maior distribuição gratuita de livros em um mesmo evento na cidade. A autora dos livros é a escritora paulistana Patricia Engel Secco, que já escreveu cerca de 300 livros infantis, em sua maioria sobre meio ambiente e cidadania.
Os livros, divididos em sete títulos diferentes, estarão disponíveis em estandes nos seguintes locais:
- Parque Villa-Lobos
- Parque do Ibirapuera (UmaPaz e Espaço Evoluir);
- Mercado Municipal Paulistano
- Parque Santo Dias
- Recanto do Pedrinho (Rua Manoel Dutra, no bairro Bela Vista).
A iniciativa faz parte do projeto “Reciclick – Educando para a Sustentabilidade”, que oferece materiais informativos, palestras, artigos e livros sobre temas como cidadania, meio ambiente, mobilidade urbana, proteção de animais, novas tecnologias, entre temas que permeiam o conceito da sustentabilidade. “Nosso objetivo, ao idealizar o Reciclick, foi apostar no que acreditamos que de fato transforma e faz a diferença para melhorar a vida neste planeta: a educação”, explica Patricia Secco, que lançou o projeto em parceria com a jornalista Cristina Rappa.


Bandeira da Terra será hasteada neste domingo no Parque Villa-Lobos

A Bandeira da Terra será hasteada neste domingo (5/6), às 9h30, na esplanada central do Parque Villa-Lobos, pela líder da iniciativa da Carta da Terra no Brasil, Cristina Moreno, e o organizador da Virada Sustentável, André Palhano, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Jovens e crianças estão convidados a participar desta ação, que antecederá a visita do Governador Geraldo Alckmin e Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Bruno Covas, ao parque, para prestigiar as atrações e lançar as seguintes ações:
- Assinatura da Resolução do Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndio Florestal;
- Assinatura da Resolução do Plano de Operação e Implantação do Parque Morro do Diabo;
- Relatório de Qualidade Ambiental: um panorama do meio ambiente do Estado de São Paulo em dados importantes, como recursos hídricos, recursos pesqueiros, saneamento ambiental, solo, biodiversidade, ar, mudanças climáticas e saúde ambiental.
- Cartilha Ambiental: serão distribuídos 500 mil exemplares.
- Lançamento do enredo da Escola Leandro de Itaquera (Carnaval 2012), com o tema: “Meio Ambiente – Um caminho de solidariedade e sustentabilidade”. Vão participar 60 integrantes da escola.
A Bandeira da Terra foi criada em 1969 por ambientalista norte-americano e desde então é ultilizada por várias organizações, inclusive pela ONU, para chamar à atenção do público para os cuidados que devemos ter com o Planeta Terra. É um ícone que representa visualmente o que o documento “A Carta da Terra” apresenta em seu preâmbulo:
“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. (…) Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.”
“A iniciativa Virada Sustentável é um exemplo prático da Carta da Terra, representada visualmente pela Bandeira da Terra, por isto faremos esta cerimônia conjunta no Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma oportunidade para nos reconectar com nossa essência de vida”, diz Cristina Moreno. Para André Palhano, o símbolo da Bandeira da Terra está alinhado com a mensagem inspiradora que a Virada quer passar por meio de elementos artísticos e culturais. “O objetivo desse movimento é ampliar a informação sobre sustentabilidade a partir de uma abordagem mais positiva para a população, usando a arte e a cultura como principais ferramentas de comunicação. No lugar da restrição e do medo, entra a inspiração”, explica.

Leia mais: http://www.viradasustentavel.com/site/index.php/?cat=1

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Alemanha sai na frente e coloca nuclear pra trás

A Alemanha é, oficialmente, a primeira grande nação industrializada a ter um plano de abolir energia nuclear do seu território. A data para o fim de uma era de insegurança foi estipulada na madrugada de domingo, dia 29 de maio, por decisão da coalização de governo da chanceler Ângela Merkel: até 2022 não haverá mais reatores em seu país.







“Queremos que o futuro da nossa energia seja seguro e economicamente viável”, afirmou Merkel a repórteres. “Precisamos seguir um novo caminho”, complementou.
A decisão veio na rebarba dos acidentes em Fukushima, no Japão, que deixaram explícita a vulnerabilidade de um dos países mais avançados tecnologicamente do mundo frente aos perigos da energia nuclear. O povo alemão, que colocou nas urnas seu descontentamento com a política nuclear que Merkel estimulava, exerceu forte pressão em prol da decisão.
São 17 usinas nucleares na Alemanha, das quais sete já haviam sido fechados temporariamente após o incidente em Fukushima. Estas permanecerão inativas. As restantes se desligam nos próximos anos, sem cláusula de revisão. Juntas, as 17 usinas produziam menos de ¼ da energia alemã. Renováveis eram responsáveis por 17%, mas os planos são de expandir este valor para 50%.
“A Alemanha acaba de mostrar que bastam visão e vontade política para livrar um país dos riscos da energia nuclear, fonte que além de tudo é cara, suja e extremamente ultrapassada”, afirmou Jan Beranek, coordenador da Campanha Internacional de Nuclear do Greenpeace. “Japão, Suíça e Itália também já começaram a revisar suas políticas nucleares. Qualquer país que assim o quiser, pode fazer o mesmo”, concluiu.
 O recado parece dado para o Brasil. Com a decisão, afastam-se as possibilidades da Alemanha vir a honrar com o compromisso antigo de financiamento do projeto nuclear brasileiro. Dilma chorou por ele quando da visita do presidente alemão Christian Wulff ao Brasil. A resposta não foi animadora da parte alemã. Angra 3 ainda depende deste dinheiro – R$ 3 bilhões – e o BNDES, responsável pelo restante, já mandou avisar que se a grana não sair, vai botar a conta no bolso do consumidor. 




Hilda :Parabens ao povo Alemão. Nós temos condição de fazer o mesmo e continuamos insistindo na Energia Nuclear.
Parem Angra 3 já. Isso é um ABSURDO. O povo brasileiro precisa aprender com o povo alemão.  Chega de acompanhar as idéias ruins de outros países. Vamos investir em energias renováveis, temos potencial para isso."




O bárbaro fim de um defensor da floresta

O bárbaro fim de um defensor da floresta

O casal de extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo foram mortos na última terça-feira (24) nos arredores de Marabá (PA). Os suspeitos do crime são madeireiros. A reserva de onde José e Maria, castanheiros, tiravam seu sustento, é praticamente a única floresta que resta na região onde os dois foram assassinados. Este video mostra como a Amazônia corre o risco de voltar a um tempo onde a impunidade, os crimes ambientais e o conflito agrário eram a lei.



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Descaso a céu aberto

Carga de urânio altamente radioativa aguarda destinação estacionada em delegacia do interior da Bahia. O material veio de São Paulo, mas não apresentou autorização oficial de transporte.



Nove caminhões carregados de material radioativo estacionados no pátio de uma delegacia no interior da Bahia aguardam indefinidamente um rumo. Este é o cenário desolador do caótico programa nuclear brasileiro. O comboio veio de São Paulo, tentou entrar no município de Caetité (BA) na noite do dia 15 de maio e foi rejeitado pela população, que aguardava em vigília. Até o momento, nenhuma autorização de transporte foi apresentada pelos órgãos responsáveis.
Segundo a Indústria Nuclear do Brasil (INB), o comboio com cem toneladas de urânio saiu de uma reserva da marinha em Iperó (SP) para ser embalado em Caetité, única cidade do país onde há minas de urânio, e depois enviado para fora do país. Mas o tal carregamento está rodeado de incertezas: Não há provas de que não se trate de lixo radioativo e, até o momento, não se viu a cara de qualquer autorização do IBAMA para o transporte de uma carga letal que percorreu cerca de 1500 km por estradas brasileiras.
O clima em Caetité é de apreensão total. O Greenpeace esteve na delegacia onde repousam os caminhões, em Guanambi, a 30 km de Caetité, e o comando principal do batalhão pouco sabe sobre o elefante branco que está em seu pátio. O mesmo vale para a população, que exige a retirada imediata do material. Originalmente, o comboio tinha 13 veículos, dos quais 4 provavelmente conseguiram entrar na sede da INB.
“O episódio revela a falta de governança do programa nuclear brasileiro. Primeiro, um grande carregamento de material altamente tóxico empreende uma jornada pelas rodovias brasileiras sem autorização clara de transporte. É levada para uma cidade que rejeita o material e agora é mantida exposta a céu aberto no pátio de uma delegacia, colocando em risco a população”, diz Pedro Torres, da Campanha de Energia do Greenpeace.



Assista ao vídeo:

Padre Osvaldino, liderança local convidada pela prefeitura a participar de audiência com a INB sobre o caso esta manhã, acredita que a tática da Indústria Nuclear é a de vencer a população pelo cansaço. “As pessoas não podem ficar em vigília por muito tempo para evitar que a carga saia do lugar”, diz. O Greenpeace foi barrado na porta da audiência.. O impasse – leia-se, a carga radioativa - permanece pelo menos até amanhã, dia 18 de maio, quando as negociações entre prefeitura, INB e representantes da população local recomeçarem.






Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Descaso-a-ceu-aberto/