sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pare Angra 3




Nesta semana, os oceanos ganharão um novo e destemido defensor. O Rainbow Warrior III integrará oficialmente a frota de navios do Greenpeace.

Projetado totalmente à medida para o Greenpeace, o Rainbow Warrior III leva o selo de sustentabilidade. Em lugar dos combustíveis fósseis, seu principal motor será a força dos ventos. Sua operação por motores só será acionada em caso de condições adversas. Mesmo assim, seu casco foi desenhado para reduzir ao máximo o uso de combustíveis. O calor dos geradores será reutilizado no aquecimento da água a bordo, em cabines e banheiros, e para o pré-aquecimento das máquinas.


Tudo isso foi possível graças ao apoio de colaboradores de todo o mundo. Mais de 100 mil pessoas fizeram doações, patrocinando a compra de peças e outros equipamentos por meio da internet até que a construção do navio fosse finalizada.


O navio partirá de Berne-Matzen na Alemanha para suas primeiras missões. Kumi Naidoo diretor executivo do Greenpeace Internacional, esteve na apresentação e disse que o novo Rainbow Warrior é perfeito para a tempestade de desafios ecológicos, democráticos e financeiros que nosso mundo está encarando.


Na mesma ocasião, a advogada canadense que defende os direitos indígenas e é madrinha da embarcação, Melina Laboucan-Massimo, lembrou uma citação do povo indígena Cree que deu origem ao nome Rainbow Warrior: “Um dia a terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição.
Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris.”

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Protesto Anti-Desmatamento - USP

Saiu no ESTADAO essa reportagem sobre o desmatamento de mais de 1.300 arvores no campus da USP, no Butantã.

Segundo a reportagem abaixo, a universidade sera obrigada a manter apenas 217 arvores no local, e plantar 6.000 mudas. O problema é que serão cortadas árvores adultas, robustas, que trazem um grande benefício para o clima da região. Já essas mudas só trarão efeito similar daqui a 20 ou 30 anos", disse o ...ambientalista Carlos Bocuhy.

Em tempos de preocupações com o meio ambiente, como um projeto desses foi liberado pela Prefeitura e pelo Ministerio do Meio Ambiente ???

Peço que todas as pessoas que estudam, moram proximo a regiao e tambem todas que se preocupam com o meio ambiente ajudem nessa campanha contra esse corte maçiço de arvores, que trará consequencias a todos nos por anos e anos !!!!

Estamos verificando junto aos organizadores do evento uma data para fazermos uma manifestacao dentro do campus,,,,mais informacoes em breve !!! Vamos participar pessoal, unindo forças conseguiremos resultados !!!!

COMPARTILHEM !!! ESPALHEM !!!! DIVULGUEM !!!!

Segue abaixo a reportagem
( link: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,usp-vai-cortar-13-mil-arvores-no-campus-do-butanta,776208,0.htm )


SÃO PAULO - Considerado um dos locais com mais áreas verdes na capital paulista, o câmpus da Universidade de São Paulo (USP) no Butantã, zona oeste, vai perder 1.328 árvores nos próximos meses. Essa pequena mata, equivalente a um Parque Trianon ou da Aclimação, vai dar lugar a um conjunto de museus planejado pela reitoria desde 2001. O corte é um dos maiores aprovados neste ano pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Para se ter ideia do tamanho do desmatamento, toda a obra de duplicação da Marginal do Tietê em 2009 derrubou cerca de 800 árvores, pouco mais da metade do que será cortado na USP. A universidade será obrigada a manter no local apenas 217 árvores, além de plantar outras 6 mil mudas no local. "O problema é que serão cortadas árvores adultas, robustas, que trazem um grande benefício para o clima daquela região. Já essas mudas só trarão efeito similar daqui a 20 ou 30 anos", disse o ambientalista Carlos Bocuhy.

A área fica do lado da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, próximo da Avenida Corifeu de Azevedo Marques. Para Bocuhy, o local é inadequado para uma obra desse porte. "Existem várias outras áreas na USP com bem menos árvores, que trariam um impacto muito menor. É impossível que esse local, onde será necessário cortar mais de 1.300 árvores, seja a melhor alternativa nesse caso", afirma o ambientalista.

As árvores são consideradas essenciais por especialistas pois ajudam a umidificar o ar em zonas localizadas dentro da cidade, o que contribui para a dispersão dos poluentes e alivia os efeitos causados pelo tempo seco. Outra contribuição das matas urbanas é a refrigeração da atmosfera nas redondezas e o aumento da circulação do ar.

Projeto. O plano da USP é erguer no local o chamado "Parque dos Museus", um conjunto de 53 mil m² projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha que será sede do Museu de Arqueologia e Etnologia e do Museu de Zoologia. Isso só será possível justamente por causa de uma obra considerada irregular pelo Ministério Público, que obrigou a incorporadora Brookfield a contribuir financeiramente com o projeto após danificar um sítio arqueológico no Itaim-Bibi, onde constrói um prédio.

O diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, Thiago Aguiar, afirma que não houve discussão sobre o local escolhido pela reitoria para se erguer as novas sedes dos museus. "Esse plano de construção de novos prédios, que vai gastar R$ 240 milhões dos cofres públicos, não foi nada democrático. Não tivemos a chance de discutir nem sobre o impacto dessa obra na área verde do câmpus nem sobre sua finalidade, que também é questionável", diz.

A universidade, por sua vez, afirma que todo o processo está sendo feito de acordo com as orientações da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Segundo a USP, o projeto é importante para a comunidade acadêmica, uma vez que vai aproximar o Museu de Zoologia à Cidade Universitária - hoje, ele funciona no bairro do Ipiranga, na zona sul - e aumentar a área disponível para as exposições. A previsão de inauguração é em 2013.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011





Olá, ciberativista
Hoje colocamos no ar um mapa interativo de Abrolhos, mostrando a região que o Greenpeace pede que seja declarada livre da exploração de petróleo. Levando em consideração as correntes marítimas, a ciência mostra que um vazamento dentro desta área pode atingir longas distâncias, afetando a maior biodiversidade do Atlântico Sul. Confira o mapa e entenda melhor nossa proposta.
Até o momento, nenhuma empresa deu sinais de que pretende abandonar suas operações em Abrolhos, apesar dos recentes protestos do Greenpeace.
Desde julho, tentamos um diálogo com as dez petroleiras com blocos na região. Enviamos cartas a todas elas explicando a necessidade de ampliar a proteção de Abrolhos. Só recebemos respostas de três delas: Shell, Sonangol e Petrobras.
Outras duas empresas só responderam de improviso e sob pressão. A carta da Repsol Sinopec, coincidentemente, chegou no mesmo dia que o Greenpeace fez uma  manifestação nos escritórios da Perenco, no Rio de Janeiro. Já a OGX só se moveu depois que as baleias ativistas se acorrentaram na entrada da empresa, exigindo sua adesão à moratória. A carta da OGX era vaga. Por isso, os manifestantes resistiram por nove horas no local, até serem retirados à força pela Tropa de Choque da Polícia Militar.
Todas as empresas alegam que operam dentro da lei e possuem licença ambiental. Parece que elas têm memória curta, porque nada disso foi suficiente para evitar a catástrofe no Golfo do México em 2010. Lá, o óleo atingiu uma área três vezes maior que a pedida pelo Greenpeace para proteger Abrolhos.
Outras cinco empresas ainda não se manifestaram sobre as cartas do Greenpeace: Vale, Perenco, Vipetro, Cowan e HRT. Como explicar tanta omissão?
É por isso que precisamos de sua ajuda. Assine, divulgue nossa petição eTweet. Com ela, você estará pressionando as empresas a responder nosso pedido e a apoiar a moratória do petróleo em Abrolhos.




quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Abrolhos‏





Olá ciberativista,

A campanha contra a exploração de petróleo na região de Abrolhos segue em pauta nesta semana. Mais de 10 mil ciberativistas já assinaram a petição, que será entregue às empresas e ao governo. Se você ainda não participou, demonstre hoje mesmo seu apoio a esta causa e não deixe as petrolíferas atrapalharem o namoro das baleias.
E para aqueles que quiserem saber as novidades da campanha, eu estarei amanhã, 25/08, às 17h, em chat ao vivo com os internautas. Prepare suas perguntas e participe de nosso bate-papo.
Você também poderá enviar perguntas pelo Twitter, basta acrescentar a hashtag #PapoGreenpeace.
Assine a petição, divulgue para seus amigos e ajude a salvar Abrolhos. A baleia jubarte, o Coral Cérebro e mais de 1300 espécies agradecem. Obrigada, Leandra Gonçalves.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Países fecham usinas nucleares



Na esteira do acidente em Fukushima, no Japão, Alemanha, Suíça e Itália anunciaram que vão desistir da energia atômica. O ministro do Meio Ambiente alemão, Norbert Roettgen, pretende fechar todas as usinas nucleares do país até 2022. Das 17 existentes, as 8 mais velhas já estavam paralisadas e 7 haviam sido fechadas temporariamente, após Fukushima. O governo suíço seguiu os passos da Alemanha e os eleitores italianos, num plebiscito que registrou participação recorde de 57% da população, enterraram o plano de construir usinas no país.
Emissões de CO2 batem recorde
O nível de gás carbônico (CO2) na atmosfera entre 22 e 28 de maio foi o mais alto já registrado: 394,97 partes por milhão (ppm), 1,6 ppm a mais do que em 2010, segundo dados do governo dos Estados Unidos. Na mesma época, a Agência Internacional de Energia divulgou que as emissões de CO2 para geração de energia foram as mais altas da história, graças sobretudo a países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia. Níveis de CO2 acima de 400 ppm favorecem mudanças mais sérias no clima.
São Paulo aumenta controle do ar
O Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (Consema) aprovou em maio a adoção de um parâmetro mais rígido de limite para poluição do ar, afinado com a Organização Mundial da Saúde. O Estado é o primeiro do mundo a seguir esse padrão, que afetará a obtenção de licenças ambientais por empresas e a implementação de medidas extremas nas cidades com poluição alta, entre outros itens. Até se chegar ao limite desejado haverá três etapas intermediárias, a primeira das quais vencerá em 2014.
Google investe em energia renovável
Uma usina eólica no sul da Califórnia é o mais novo investimento em energia alternativa da Google. A gigante de tecnologia destinou US$ 55 milhões para a construção do parque eólico Alta Vista Energy Center, na fronteira do deserto de Mojave com os Montes Tehachapi. A obra, a cargo da Terra-Gen Power, conta ainda com a participação do Citibank e deverá abastecer 450 mil domicílios. Com a iniciativa, a Google já contabiliza US$ 400 milhões investidos em energias renováveis.
Mata Atlântica: devastação menor
Minas Gerais (12.467 hectares) e Bahia (7.725 hectares) foram os Estados que mais perderam cobertura de Mata Atlântica entre 2008 e 2010, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado em maio pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nesse triênio foram desmatados 31.195 hectares.
O documento aborda a situação de 16 dos 17 Estados que contêm o bioma. A taxa média anual de desmatamento nesses Estados caiu 55% ante o triênio 2005-2008.
Londres incentiva carro elétrico
O prefeito de Londres, Boris Johnson, anunciou em maio a criação de uma rede de recarga para carros elétricos, estímulo adicional ao uso desses veículos. Até 2013, mais de 1.300 pontos de recarga serão instalados na cidade. Motoristas de carros elétricos têm isenção do pedágio urbano denominado Congestion Charge. A Nissan divulgou que pagará a recarga durante 12 meses para quem adquirir seu veículo elétrico, o Leaf (foto), até o fim de 2011 e mora a até 64 quilômetros de um desses posto.
Empresas + verdes
A empresa de transporte coletivo Metropolitana, que atua em São Paulo e no Recife, pôs em circulação, em maio, 50 ônibus movidos a etanol na capital paulista. Os veículos, fabricados pela Scania e adaptados a partir de um estudo da USP, já seguem o padrão de emissão de poluentes da União Europeia.
A siderúrgica ArcelorMittal Tubarão, do Espírito Santo, trouxe para o Brasil o Sistema Claus, tecnologia inédita na América do Sul que pode reduzir em até 89% as emissões de dióxido de enxofre de sua coqueria (a área produtora de coque, combustível usado na produção de aço). O sistema completo começará a funcionar em fevereiro.
A HP comemorou em junho a ultrapassagem das metas de redução de consumo de energia de seus produtos traçadas em 2009. A empresa pretendia baixar em 40% esse consumo entre 2005 e 2011, mas nove meses antes do prazo anunciou que seus aparelhos já são 50% mais eficientes energeticamente do que os de cinco anos atrás.
O Grupo EkoBio lançou em maio duas canetas biodegradáveis: a ExataBio, modelo automático com design italiano, e a PetitBio, minicaneta com cordão em algodão. As duas, tal como a EkoBio (a primeira caneta biodegradável do país), são feitas com biorresina de fonte renovável, que não deixa resíduos tóxicos.

sábado, 9 de julho de 2011

Código Florestal em perigo



Uma das maiores ameaças de retrocesso na proteção do meio ambiente é a proposta ruralista para reformas do Código Florestal.
Entidades civis ligadas ao movimento SOS Florestas se debruçaram sobre o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) e concluíram que o projeto de reforma representa grave ameaça às florestas e a própria agropecuária brasileiras.

Veja por quê:

  • A expectativa de anistia fez explodir o desmatamento na Amazônia. Já perdemos 593km2 de floresta entre março e abril de 2011.
  • A proposta aprovada na Câmara dos Deputados foi escrita por ruralistas sem debate amplo com a sociedade.
  • As propostas ruralistas colocam em xeque o cumprimento de metas climáticas e de proteção da biodiversidade.

Estudos e publicações

Estudos mostram que os impactos das mudanças no código florestal serão desastrosos para o meio ambiente.
 


As mudanças no Código Florestal e a  "Licença para matar" 


Coalizão SOS Florestas - ( Abong )
A aprovação das mudanças no Código Florestal pela Câmara dos Deputados, no dia 24 de maio, desencadeou uma onda de violência no campo e voltou a colocar em evidência as trágicas mortes por conflitos pela terra ou pelo uso dos recursos naturais que historicamente marcam o meio rural brasileiro. Aparentemente, a descabida “licença para desmatar” que o Congresso ameaça aprovar já está sendo encarada por alguns setores como uma ainda mais absurda “licença para matar”, cujas vítimas seriam lideranças que defendem a reforma agrária, os direitos humanos e a floresta amazônica. Uma situação intolerável que causa tristeza e indignação, e que requer mudanças estruturais para ser revertida.
Em dez dias, a violência no campo deixou pelo menos cinco mortos. Na mesma terça-feira em que os deputados federais votavam alterações no Código Florestal que inevitavelmente aumentarão o desmatamento, Maria do Espírito Santo da Silva e seu companheiro José Claudio Ribeiro da Silva, lideranças de um projeto de assentamento agroextrativista, foram assassinados em uma emboscada perto de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. Anunciada aos deputados durante a votação, a notícia recebeu uma mórbida vaia dos representantes da bancada ruralista e de seus entusiastas. Quatro dias depois, o corpo do trabalhador rural Eremilton Pereira dos Santos, possível testemunha, foi encontrado também morto a tiros no mesmo assentamento.

Na sexta-feira daquela semana, na região de Lábrea em Rondônia, foi assassinado Adelino Ramos, líder de um projeto de assentamento agroflorestal, sobrevivente do massacre de Corumbiara, de 1995, no qual pelo menos doze pessoas morreram nas mãos de pistoleiros e policiais militares. No mesmo dia da morte de Adelino, Almirandi Pereira Costa, vice-presidente da associação quilombola de Charco, sofreu um atentado em São Vicente, no Maranhão, mas sobreviveu. Na quinta-feira seguinte, morreu o assentado Marcos Gomes da Silva, baleado duas vezes, uma delas quando já estava sendo transportado para o hospital, em Eldorado dos Carajás, palco da chacina que matou 19 integrantes do MST e completou quinze anos em abril deste ano.

Esses incidentes trazem à tona novamente para a opinião pública nacional e internacional os conflitos no campo brasileiro, cenário de uma realidade conturbada, em que dia a dia aqueles que lutam pela terra, pela preservação das florestas, e por formas sustentáveis de se relacionar economicamente com os recursos naturais, são vítimas de todo tipo de violência, desde ameaças e intimidações até assassinatos brutais, passando por destruições, incêndios e agressões. Repetem-se, assim, as tristes histórias de Chico Mendes, Padre Josimo, Dorothy Stang e de tantas outras pessoas que tombaram anônimas, eliminadas como se suas vidas não valessem nada, silenciadas por forças políticas e econômicas que lucram com o desmatamento ilegal e com a grilagem de terras. Mortes anunciadas, esperadas, previstas, tragédias que poderiam ser evitadas.

Das cinco vítimas nesse período, três haviam denunciado madeireiras por desmatamento irregular e recebiam ameaças de morte há bastante tempo, já informadas às autoridades e divulgadas nos relatórios da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O próprio Zé Castanha, como era conhecido o líder agroextrativista, havia anunciado a iminência de seu assassinato em palestras e entrevistas. Segundo dados da CPT, 1.855 pessoas foram ameaçadas de morte pelo menos uma vez de 2000 a 2011, a maior parte delas no Pará. Do total, 207 foram ameaçadas duas ou mais vezes. Destas, 42 foram mortas e outras trinta sofreram tentativas de assassinato.

Um dos fatores que contribui sobremaneira para a perpetuação desse quadro é a impunidade generalizada de que desfrutam os assassinos e os mandantes desses crimes. Segundo a CPT, de 1985 até 2010, foram assassinadas 1.580 pessoas por causa de conflitos no campo. Apenas 91 delas foram a julgamento, com a condenação de 21 mandantes e 73 executores. Dos mandantes condenados, somente Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser responsável pelo assassinato da Irmã Dorothy Stang, continua preso.

Especificamente no Pará, um levantamento do governo federal mostra que quase 98% dos casos de homicídios no campo ocorridos nos últimos dez anos ficaram impunes, sendo que grande parte sequer chegou à Justiça. Uma impunidade incompatível com o Estado de direito em que supostamente vivemos.

Em reação aos assassinatos ocorridos, o governo federal reuniu diversos órgãos estatais e ministérios – entre eles o do Desenvolvimento Agrário, o do Meio Ambiente, o da Justiça e a Secretaria Especial de Direitos Humanos – a fim de definir medidas para conter a onda de violência no campo.

Entre as ações previstas está a criação de um grupo de trabalho interministerial para acompanhar a investigação dos homicídios e garantir que não haja impunidade, a proteção nos casos mais graves de lideranças rurais ameaçadas de morte, a intensificação das operações “Arco de Fogo” e “Arco Verde”, para coibir práticas como a extração ilegal de madeira na região, e a criação de dois escritórios de regularização fundiária nesses locais.

É louvável que o governo federal tome medidas emergenciais para combater o problema, mas é preciso ir à raiz desta situação, que está no apoio dado ao agronegócio, através de largos financiamentos e incentivos fiscais, para garantir suas atividades de exportação, para trazerem divisas para o Estado brasileiro.

Como disse D. Tomás Balduíno, conselheiro permanente da CPT, por ocasião do assassinato da Irmã Dorothy, quem mata é o agronegócio: “Esses assassinatos não são motivados por intrigas pessoais. Eles estão ligados à problemática da terra. Onde, além da ocorrência de intimidação, também ocorre execução” (17/02/2005 – Agência Carta Maior). E o Estado, na região Amazônica, no campo - representado pela polícia e pelo judiciário local - é, não raras vezes, defensor dos grandes proprietários e dos grileiros.

Nesse contexto, a aprovação do Código Florestal na Câmara só agrava o problema, antes mesmo de sua votação no Senado e da sanção presidencial. Provoca desde agora uma corrida para o desmatamento que aumenta a tensão fundiária, gera mais insegurança no campo, amplia a vulnerabilidade das populações tradicionais.

Pouco adianta punir os responsáveis por esses crimes, aumentar a fiscalização e escoltar as pessoas ameaçadas se não se alterar a desigual estrutura fundiária brasileira e se continuar priorizando projetos que só beneficiam latifundiários, empreiteiras, mineradoras, madeireiras, construtoras.

A ABONG acredita que, para além da necessária punição aos envolvidos nos crimes, só com a adoção de outra concepção de desenvolvimento, com uma reforma agrária efetiva, com a proteção dos recursos naturais, com a demarcação das terras das populações tradicionais, essa violência no campo pode ter fim.
 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Plano B contra o aquecimento global

Enquanto o mundo (quase não) se esforça para reduzir as emissões de gases-estufa, alguns cientistas já trabalham com alternativas mais radicais caso o aquecimento global se agrave. Jogar no oceano imensas quantidades de micropartículas de ferro, aspirar o ar para filtrá-lo ou lançar na atmosfera um milhão de toneladas de enxofre são algumas das opções em estudo


 Simulação artística da alternativa de desviar raios solares com guarda-sóis gigantes: custo alto e eficácia limitada



A geoengenharia é um tema quente na comunidade científica. Tentar limitar o aquecimento global manipulando o meio ambiente é uma ideia com diversas ramificações, atualmente sob análise de um número crescente de químicos e de físicos, entre os quais estão Klaus Lackner (Estados Unidos), Ian Jones (Austrália), James Lovelock (Grã-Bretanha) e Paul Crutzen (Holanda).

Nesse "Plano B" para salvar a Terra do aquecimento global, há duas alternativas preferenciais: capturar dióxido de carbono (CO2) a fim de reduzir a concentração de gases-estufa (por exemplo, fazendo árvores sintéticas, "semeando" os oceanos com ferro ou cobrindo o fundo do mar com cálcio); e desviar a radiação solar usando guarda-sóis gigantes compostos de bilhões de discos de vidro escuro ou revestidos por camadas de partículas de sal ou de sulfato. A primeira opção envolve menos risco do que a segunda, mas é bem mais lenta. Nos dois casos, os custos são altos e a eficácia das soluções permanece limitada.



O exemplo de Vênus
Vênus tem a chave para nos libertar do aquecimento global? Em um comunicado à imprensa em 5 de novembro de 2010, o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), da França, anunciou que cientistas haviam localizado uma camada de dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera superior do planeta. "O SO2 é de particular interesse já que o gás poderia ser usado para resfriar a Terra através de um processo de geoengenharia apresentado pelo Nobel de Química Paul Crutzen [1995]", explica o comunicado.]




Cinco anos atrás, Crutzen imaginou uma solução de emergência para o aquecimento acelerado: liberar um milhão de toneladas de enxofre na estratosfera. Através de uma reação química natural, isso se transformaria em SO2 e, a seguir, em partículas de sulfato. Ao refletirem os raios do Sol, as partículas reduziriam a temperatura média da Terra. A ideia foi inspirada na pesquisa feita nos anos 1970 pelo climatologista russo Mikhail Budyko e também pela erupção do vulcão Pinatubo (Filipinas), que lançou 10 milhões de toneladas de enxofre no ar em 1991, levando a uma queda de 0,5ºC na temperatura média da Terra no ano seguinte.

Para Xi Zhang, responsável pelas simulações de computador que confirmaram a presença de SO2 na atmosfera de Vênus, as aplicações da descoberta no controle do clima estão fora de sua área de competência. Mesmo assim, o artigo que ele e sua equipe do Instituto Californiano de Tecnologia (Cal Tech) publicaram na revista Nature Geoscience não exclui tal possibilidade. Ele conclui que, "como há um alto grau de similaridade entre a camada de névoa superior em Vênus e a camada de sulfato terrestre na estratosfera (camada Junge), importante regulador do clima da Terra e da quantidade de ozônio, esses resultados experimentais e modelares podem ser relevantes para a química dos aerossóis estratosféricos e as aplicações da geoengenharia para o clima da Terra".

Mas é preciso cautela. Em altas concentrações, o dióxido de enxofre pode causar doenças pulmonares e cardiovasculares, afora tornar os oceanos mais ácidos, corroer metais, etc. Para os pesquisadores, ainda existe um longo caminho a percorrer antes de aplicar o "protetor solar" na Terra